Resenha literária:
NÍVEA RODRIGUES DOS SANTOS (Graduada em Letras pela Universidade de Brasília. Professora do Governo do Distrito Federal).
O livro de Brafman e Beckstrom inova ao trazer uma teoria inusitada para o campo da Administração de Empresas: a comparação do mundo empresarial com a Biologia. Ao afirmar que existem empresas que usam a estratégia da estrela-do-mar ou da aranha para sobreviverem e obterem êxito, os autores explicam de uma forma clara e simples conceitos complexos e amplamente explorados por outros pesquisadores. Para embasar essa teoria, os autores recorrem, além das teorias sobre Administração, à Neurociência, à Sociologia, à Antropologia, entre outros.
Os autores abordam ao mesmo tempo organizações que, a princípio, não têm nada em comum: o cérebro, as indústrias, o terrorismo e as comunidades locais/sociais. Ao analisar como essas organizações se estruturam, eles foram percebendo que há mecanismos muito semelhantes entre elas. A primeira pergunta a ser feita é: quem está no comando? E ao longo do livro eles tentam provar a teoria de que organizações sem líderes são extremamente poderosas e que a desordem e o caos, na medida certa, podem resultar em sucesso e lucro. Para explicar esta teoria do poder das organizações sem líderes, Brafman e Beckstrom comparam as estrelas-do-mar a organizações descentralizadas e as aranhas, as centralizadas. Mostram como elas agem ao serem atacadas, o sucesso/fracasso de cada uma e o espaço que era ocupado pelas “empresas aranhas” ser invadido pelas “empresas estrelas-do-mar”. Revela, ainda, como empresas e instituições renomadas podem incorporar os princípios de estrela-do-mar para alcançar o sucesso.
A estratégia da estrela-do-mar, observada pelos autores, é que ao cortar uma parte, ela não morre, pelo contrário, a parte cortada se regenera e forma outra estrela-do-mar. Já as aranhas, quando têm uma perna cortada, não se regeneram e se esse membro for a cabeça, elas morrem. Essa metáfora é transposta para explicar como empresas e organizações centralizadas e descentralizadas reagem às mudanças no ambiente.
A primeira vista, o livro parece que ajudará os administradores a encontrarem soluções para seus problemas de liderança. Puro engano. O livro é uma análise séria de como organizações descentralizadas conseguiram derrubar negócios tradicionais com a aparente falta de hierarquia, impulsionadas, principalmente, pela Internet. Como exemplo de empresas descentralizadas, os autores citam os Alcóolicos Anônimos, a Toyota, a IBM e a Al Qaeda, entre outros. Além disso, esse estudo é mais voltado para a teoria organizacional do que para o gerenciamento e liderança.
O livro é dividido em nove capítulos, além da introdução, das fontes bibliográficas e do índice. Realmente, Brafman e Beckstrom resolveram inovar nesse livro, talvez pelo fato de não se mostrarem como pesquisadores com vários títulos, mas procurarem o título de empreendedores e não de doutores. Contudo, isso em nada desvaloriza a presente obra. Os dois são mestres em Administração de Empresas – MBA - pela Stanford Business School e empreendedores start-up que incluem desde redes sem fio a empresas de domínio público
A partir do capítulo 2, os autores passam a ser mais didáticos. Eles afirmam que para reconhecer uma empresa centralizada ou descentralizada é preciso fazer as perguntas certas e propõem 10 questões respondidas logo depois. Por exemplo: “há alguém no comando? Há sedes? Se você atingir a cabeça, ela morrerá? Há uma divisão clara de funções?” No capítulo 3 há uma análise de organizações descentralizadas, mas que não geram grandes lucros.
Do capítulo 4 em diante há a análise das características das organizações descentralizadas; as qualidades de um catalisador e a comparação deste com um CEO e propostas para combater a invasão das estrelas-do-mar. Os autores mostram que há um ponto de equilíbrio entre organizações centralizadas e descentralizadas que denominam de empresas híbridas e propõe regras de sobrevivência em um mundo em constante mudança.
As teorias são muito interessantes, principalmente porque não se fecham em dois extremos como organizações centralizadas e descentralizadas. Propõe algumas soluções para os problemas levantados e não se restringem às empresas, mas a vários tipos de organizações, com fins lucrativos ou não.
O livro traz exemplos de empresas e organizações atuais, conhecidas mundialmente, o quê facilita a leitura de pessoas de várias nacionalidades. Portanto, a leitura de “Quem está no comando?” é mais do que recomendável, tanto para empresários e pesquisadores, quanto para administradores, empreendedores e pessoas interessadas em organização empresarial.
Para ter acesso a esse trabalho por completo, visite:
NÍVEA RODRIGUES DOS SANTOS (Graduada em Letras pela Universidade de Brasília. Professora do Governo do Distrito Federal).
O livro de Brafman e Beckstrom inova ao trazer uma teoria inusitada para o campo da Administração de Empresas: a comparação do mundo empresarial com a Biologia. Ao afirmar que existem empresas que usam a estratégia da estrela-do-mar ou da aranha para sobreviverem e obterem êxito, os autores explicam de uma forma clara e simples conceitos complexos e amplamente explorados por outros pesquisadores. Para embasar essa teoria, os autores recorrem, além das teorias sobre Administração, à Neurociência, à Sociologia, à Antropologia, entre outros.
Os autores abordam ao mesmo tempo organizações que, a princípio, não têm nada em comum: o cérebro, as indústrias, o terrorismo e as comunidades locais/sociais. Ao analisar como essas organizações se estruturam, eles foram percebendo que há mecanismos muito semelhantes entre elas. A primeira pergunta a ser feita é: quem está no comando? E ao longo do livro eles tentam provar a teoria de que organizações sem líderes são extremamente poderosas e que a desordem e o caos, na medida certa, podem resultar em sucesso e lucro. Para explicar esta teoria do poder das organizações sem líderes, Brafman e Beckstrom comparam as estrelas-do-mar a organizações descentralizadas e as aranhas, as centralizadas. Mostram como elas agem ao serem atacadas, o sucesso/fracasso de cada uma e o espaço que era ocupado pelas “empresas aranhas” ser invadido pelas “empresas estrelas-do-mar”. Revela, ainda, como empresas e instituições renomadas podem incorporar os princípios de estrela-do-mar para alcançar o sucesso.
A estratégia da estrela-do-mar, observada pelos autores, é que ao cortar uma parte, ela não morre, pelo contrário, a parte cortada se regenera e forma outra estrela-do-mar. Já as aranhas, quando têm uma perna cortada, não se regeneram e se esse membro for a cabeça, elas morrem. Essa metáfora é transposta para explicar como empresas e organizações centralizadas e descentralizadas reagem às mudanças no ambiente.
A primeira vista, o livro parece que ajudará os administradores a encontrarem soluções para seus problemas de liderança. Puro engano. O livro é uma análise séria de como organizações descentralizadas conseguiram derrubar negócios tradicionais com a aparente falta de hierarquia, impulsionadas, principalmente, pela Internet. Como exemplo de empresas descentralizadas, os autores citam os Alcóolicos Anônimos, a Toyota, a IBM e a Al Qaeda, entre outros. Além disso, esse estudo é mais voltado para a teoria organizacional do que para o gerenciamento e liderança.
O livro é dividido em nove capítulos, além da introdução, das fontes bibliográficas e do índice. Realmente, Brafman e Beckstrom resolveram inovar nesse livro, talvez pelo fato de não se mostrarem como pesquisadores com vários títulos, mas procurarem o título de empreendedores e não de doutores. Contudo, isso em nada desvaloriza a presente obra. Os dois são mestres em Administração de Empresas – MBA - pela Stanford Business School e empreendedores start-up que incluem desde redes sem fio a empresas de domínio público
A partir do capítulo 2, os autores passam a ser mais didáticos. Eles afirmam que para reconhecer uma empresa centralizada ou descentralizada é preciso fazer as perguntas certas e propõem 10 questões respondidas logo depois. Por exemplo: “há alguém no comando? Há sedes? Se você atingir a cabeça, ela morrerá? Há uma divisão clara de funções?” No capítulo 3 há uma análise de organizações descentralizadas, mas que não geram grandes lucros.
Do capítulo 4 em diante há a análise das características das organizações descentralizadas; as qualidades de um catalisador e a comparação deste com um CEO e propostas para combater a invasão das estrelas-do-mar. Os autores mostram que há um ponto de equilíbrio entre organizações centralizadas e descentralizadas que denominam de empresas híbridas e propõe regras de sobrevivência em um mundo em constante mudança.
As teorias são muito interessantes, principalmente porque não se fecham em dois extremos como organizações centralizadas e descentralizadas. Propõe algumas soluções para os problemas levantados e não se restringem às empresas, mas a vários tipos de organizações, com fins lucrativos ou não.
O livro traz exemplos de empresas e organizações atuais, conhecidas mundialmente, o quê facilita a leitura de pessoas de várias nacionalidades. Portanto, a leitura de “Quem está no comando?” é mais do que recomendável, tanto para empresários e pesquisadores, quanto para administradores, empreendedores e pessoas interessadas em organização empresarial.
Para ter acesso a esse trabalho por completo, visite:
http://www.unipinhal.edu.br/ojs/racre/index.php
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