sexta-feira, 20 de junho de 2008

Adam Smith


Em 1776, ano do maior protesto contra o pagamento de impostos da história, o escocês Adam Smith (1723-1790) publicou o trabalho que popularizou e divulgou a doutrina do "laissez-faire", Muito apropriadamente, Smith passou a ser, neste dois últimos séculos, o santo padroeiro dos conservadores adeptos do livre comércio, para os quais não existe palavra mais detestada do que "impostos". Aos poucos configurou-se como um dos mais valorosos economistas de sua geração e o pai do liberalismo econômico.
A obra de Smith, Uma investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações, é um dos mais famosos tratados econômicos já produzidos em todos os tempos. Baseado nas idéias dos fisiocratas franceses e de precursores ingleses, como Sir William Petty e Sir Dudley North, Smith organizou uma série de argumentos que tinham por fim descaracterizar o valor da intervenção estatal nos rumos das nações com linhas de crescimento demarcadas. Ou seja, segundo sua ótica, simplificadamente, a atuação efetiva do Estado regulando e normatizando a economia gera crise.
Smith acreditava, como muitos filósofos da época, que a natureza é o melhor guia do homem. Deus dispôs as coisas de tal forma que, se os homens e as mulheres forem deixados livres para buscar seus próprios e legítimos interesses, eles vão naturalmente agir favorecendo o melhor para a sociedade. Quer tenham ou não intenção as pessoas se ajudam umas às outras, buscando ajudar a si mesmas. Mesmo o mais ganancioso dos motivos leva freqüentemente aos mais favoráveis resultados para todos. Esse é o trabalho da "mão invisível" da Providência.
Como a mão invisível cumpre sua tarefa tão bem, concluiu Smith, é uma tolice os governos se intrometerem na produção e no comércio. Além do mais, "os próprios reis e ministros ... são sempre, os maiores perdulários da sociedade." Em resumo, "laissez faire". Ou seja, a intervenção do governo nada mais traz do que prejuízos sociais, pois os políticos são corruptos e desestruturam o leve equilíbrio que sustenta a sociedade capitalista.
Essa doutrina funciona bem em uma economia em expansão, relativamente livre e forte, como a da Inglaterra, na época de Adam Smith, e ainda hoje balizam o pensamento dos teóricos neoliberais. Todavia, os questionamentos a essa liberdade, que negocia com a libertinagem da ação privada, são uma realidade inexorável.

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