Álvaro Eduardo dos Anjos Oliveira, M. Sc., alvaro@vm.uff.br
Stella Regina Reis da Costa, D. Sc., stellare@ufrrj.br
Boletim Técnico Organização & Estratégia 4 (1) 118-134
O “homem de negócios” herdou dos antigos uma vocação para o mercado, porém a evolução natural dos negócios e sua diversificação ao longo dos tempos passaram a exigir dos comerciantes um maior empenho ao iniciar um novo negócio ou mesmo ao ampliar o já existente. Nos dias atuais torna-se inconcebível que um “homem de negócios”, de agora em diante denominado empreendedor, venha a se lançar numa experiência deveras arriscada, onde as conseqüências poderão ser fatais para si mesmo e para o mercado em geral. Em qualquer nova jornada de negócios deve-se conhecer bem o mercado em que se vai atuar.
Definitivamente, a aventura comercial por si só, não faz mais parte dos negócios modernos. O retorno do investimento é proporcional ao tamanho do risco. Os recursos materiais e financeiros disponíveis são escassos. As oportunidades variam de acordo com a conjuntura do momento, e o sucesso de um empreendimento não depende exclusivamente do detentor da idéia ou dos meios de produção do novo negócio. O mundo moderno encontrou novas formas de desenvolver e gerir as empresas e seus negócios. Encontram-se hoje, com relativa facilidade sites na rede mundial de comunicação (internet) que permitem “baixar”
cópias de softwares de gestão. No mercado propriamente dito, encontram-se inúmeros escritórios de consultorias específicas; e nas estantes das livrarias e das bibliotecas, farto material bibliográfico (livros, artigos e revistas) que se propõem buscar soluções para os problemas de administração das empresas (negócios). Da Teoria Geral de Administração foram desdobradas várias outras teorias e modelos, criando inúmeras ferramentas, programas e sistemas de gestão mais completos e específicos para cada caso.
Dos instrumentos utilizados na atualidade, o PN foi escolhido como objeto de estudo deste trabalho. Em primeiro lugar, porque qualquer que seja a área de atuação do negócio, este serve como balizador e parâmetro para desenvolver e executar bons negócios. Em segundo lugar, porque pretendemos desmistificar a idéia de que um PN por estar bem redigido, torna-se eficaz em todas as circunstâncias. Na realidade, o mais importante num PN, não é a forma, mas sua estreita relação com a realidade do mercado, com o nicho específico de atuação neste mercado e com a condição técnica e gerencial dos membros proponentes envolvidos no negócio.
Alguns autores chegam a afirmar que o PN não produz nenhum efeito real. Outros atribuem somente ao PN, o sucesso do empreendimento. Numa posição mais equilibrada, a maioria dos autores, procuram situar suas ponderações num ponto mais próximo da realidade observada. Acreditam estes últimos, que o PN possui sim sua importância no sucesso do empreendimento. Os fracassos decorrem das falhas nas projeções adotadas e/ou das mudanças bruscas e inesperadas do mercado.
Dornelas (2001) enfatiza que a tarefa de escrever um PN não é fácil, principalmente para quem nunca o escreveu. Logo de início, faz-se necessário ter bem claro o propósito deste plano. Para o melhor esclarecimento do negócio, algumas perguntas são indispensáveis: Trata-se da abertura de um novo negócio? Trata-se de uma mudança de rumos da empresa? A finalidade é conseguir algum tipo de empréstimo? No segundo momento, deve-se ter a convicção de que, como qualquer outro tipo de planejamento, as metas só serão atingidas se os proponentes do plano em questão, se comprometerem de fato com o negócio, a fim de alcançar tal êxito. Respondidas estas questões e consolidadas estas premissas, pode-se finalmente a elaborar o PN.
Resta ainda conceituar o que é, de fato este instrumento. O PN é um documento usado para planejar da melhor forma o seu negócio. Para facilitar seu entendimento, ele deve ser dividido em seções, cada uma delas atendendo um propósito específico. Não é demais lembrar que este poderoso instrumento será manuseado pelos stakeholders. Hoje as Agências de Fomento (CNPq, FINEP, FAPERJ); o SEBRAE; os Bancos de Desenvolvimento (BNDES, BID, Banco Mundial); os Bancos Comerciais em geral; algumas vezes os Acionistas e os Parceiros de um empreendimento, têm exigido para efeito de financiamento, a elaboração e o cumprimento das metas estabelecidas no PN. Essa exigência demonstra por si só a grande importância de se redigir tal documento com clareza. A aprovação de um financiamento; a expansão de vendas de novas ações de sua empresa; a confiança renovada de seus investidores e parceiros diretos e indiretos
dependem, em boa medida, desse documento. Elaborá-lo de forma apressada, reunindo de forma desconexa um grande volume de informações, carregada de dados econômico financeiros imprecisos e muitas vezes incorretos, pode ser extremamente danoso para o que se pretende realizar. Este documento deve estar o mais próximo possível da realidade e conter os dados necessários e suficientes para seu entendimento. A redação do documento não pode ser nem tão rebuscada, nem tão resumida. Deve incluir apenas o que for relevante, necessário e real.
Para ter acesso a esse texto por completo visite: http://www.latec.uff.br/bt/V2008/V2008_N1.htm
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