sexta-feira, 8 de agosto de 2008

PETER DRUCKER

Drucker é freqüentemente descrito como "o guru dos gurus". Em outras ocasiões, diz-se que ele dispensa apresentações. Não é sem motivo. Ele praticamente inventou a administração como disciplina nos anos 50 ao considerá-la "o espírito da era moderna". Nascido em Viena, educado na Áustria e na Inglaterra, Drucker se destacou como professor da New York University e é autor de dezenas de livros.
Diante do avanço do nazismo, Drucker abandonou a Alemanha e se estabeleceu em Londres, onde trabalhou para uma empresa financeira e assistiu às aulas de John Maynard Keynes. Em 1937, se mudou para os Estados Unidos. Tempos depois, se tornou professor e consultor, atividades que alternou com a de escritor.
Suas primeiras publicações americanas — The End of Economic Man e The Future of Industrial Man — são análises sociais e políticas brilhantes. The Future of Industrial Man foi o primeiro livro que indicou que a corporação empresarial é uma organização social, uma comunidade, ao mesmo tempo que é um órgão econômico. Esta obra moveu a General Motors a lhe propor que analisasse sua estrutura e suas políticas empresariais. Este seria a origem de Concept of the Corporation (1946), em que Drucker demonstra sua singularidade e sua capacidade criativa ao aplicar a análise política ao estudo das corporações. Ao analisar a empresa dentro da sociedade, Drucker destaca que a corporação precisa estar organizada de tal forma que cumpra suas obrigações sociais ao procurar seu próprio interesse mediante a busca do benefício.
Ao que se refere ao seu trabalho no colosso do automóvel, Drucker examina explicitamente, em muitos casos pela primeira vez, grandes temas como o exercício da liderança, a formulação de estratégias, a definição das políticas básicas e o estabelecimento de critérios objetivos de decisão, que deveriam constituir os pilares do funcionamento de uma organização. A partir de então, Drucker dará seu conselho a grandes empresas e instituições, de General Electric a Citibank ou Sears, tornando-se o primeiro “guru” da administração.
O pensamento de Drucker partiu filosofia social, passou pelas organizações da sociedade industrial e foi parar na administração. Drucker lançou uma luz poderosa sobre a crescente complexidade da sociedade ao contemplá-la como uma sociedade das organizações e instituições que, graças ao seu caráter integrado, reduzem e administram a complexidade. Como confessa em sua autobiografia, alternou livros de síntese social e política e obras sobre administração, alternância aguda, filha de uma visão avançada.
Entre as organizações configuradoras da “grande sociedade”, destacam-se certamente as empresas por sua influência. Por sua vez, as corporações estão dominadas pelo ethos de nossa época, de forma que não convém uma gestão empresarial neutra. Esta mútua retroalimentação é um dos grandes descobrimentos e, sem dúvida, um dos “segredos” de seu sucesso como “profeta” da administração. Precisamente o progresso da sociedade pós-industrial e do conhecimento é o que colocou mais em destaque a oportunidade das instituições empresariais.
Além de difundir o sentido atual de administração e de outros conceitos, como recursos humanos, descentralização, eficácia, trabalhador do conhecimento, direção por objetivos, antecipou tendências e descontinuidades: as características da pós-modernidade, a influência das mudanças tecnológicas no trabalho e na empresa, o principal papel da inovação e do empreendedorismo, a crise do reducionismo econômico e a queda de um de seus devedores, o totalitarismo marxista.
Esse autor e pensador escreveu mais de 30 obras, às quais se pode acrescentar dezenas de artigos, tanto científicos como jornalísticos.

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