segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O novo líder (editado)

Como a fusão mexe com os planos de contratação do Itaú e do Unibanco
Por Murilo Ohl

Roberto Setubal, do Itaú, e Pedro Moreira Salles, do Unibanco: apesar das sobreposições, bancos negam cortes.A fusão dos bancos Itaú e Unibanco, anunciada no dia 3 de novembro, cria a maior instituição financeira do país e a 14a do mundo, com um valor de mercado superior a 100 bilhões de reais. A empresa terá mais de 104.000 funcionários e cerca de 16.000 executivos. O principal objetivo da fusão é enfrentar a competição no mercado brasileiro, que ficou maior após a compra do Real pelo Santander. A expectativa é de que a integração leve 18 meses e seja concluída em 2010. Os dois bancos precisam da aprovação do Banco Central antes de iniciar a união das operações e, por isso, os detalhes de como será feita a integração ainda não foram divulgados.
A união de bancos gera ganhos de escala, mas também sobreposição de cargos, o que leva a demissões. Quando comprou bancos estaduais, como o Banerj, do Rio de Janeiro, e o Bemge, de Minas Gerais, o Itaú cortou 20 000 pessoas. As demissões foram mais pontuais na compra do BankBoston, em 2005, quando cerca de 500 postos foram eliminados.
A coincidência de cargos costuma ser maior em funções executivas e em áreas de apoio, como jurídico, TI e RH. Os bancos reconhecem a sobreposição, mas afirmam que a intenção é manter o quadro de funcionários, e não fechar agências. O motivo está nos planos de expansão da nova instituição tanto no Brasil quanto no exterior. “Tem superposições, ninguém nega”, disse Pedro Moreira Salles, executivo-chefe do Unibanco. Os presidentes de ambos os bancos afirmam que a mão-de-obra excedente será utilizada em novos cargos a ser criados. “Não haverá programas de demissão”, reforça Roberto Setubal, do Itaú. A fusão ocorre num momento em que os dois bancos tinham planos de contratar pessoas. Desde o início do ano, o quadro de funcionários do Itaú cresceu 7,8%.
Já o Unibanco pretendia aumentar em 20% o número de agências em 2009, passando de 942 para cerca de 1 200, com a contratação de cinco pessoas por agência. Com a fusão, o banco pretende ter atuação global, o que pode abrir vagas para brasileiros no exterior, principalmente para executivos. Muitos analistas julgam que a internacionalização é necessária para competir com bancos globais, como o Santander. Os planos de expansão devem começar por países da América Latina, como México e Chile. O Itaú tem um banco na Argentina e operações de cartões no Uruguai e no Chile. O Unibanco é dono de um dos principais bancos do Paraguai.


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